Exposição ao fungicida mancozeb resulta em estresse oxidativo como mecanismo comum de toxicidade entre invertebrados e vertebrados aquáticos
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Data
2024-08-23Primeiro membro da banca
Silva, Evelyn Winter da
Segundo membro da banca
Cordeiro, Marcos Freitas
Terceiro membro da banca
Zebral, Yuri Dornelles
Quarto membro da banca
Loro, Vania Lucia
Metadata
Mostrar registro completoResumo
O mancozebe (MZ) é um fungicida amplamente utilizado no Brasil devido à sua eficácia no combate a infecções fúngicas em plantações. No entanto, sua toxicidade para organismos não alvo, incluindo organismos aquáticos, tem sido relatada na literatura. Recentemente, a legislação brasileira foi atualizada para permitir uma concentração de 8 μg/L de MZ em água potável, segundo a Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021. No entanto, a segurança dessa concentração para organismos aquáticos ainda não foi avaliada. Para abordar essa lacuna, conduzimos um estudo usando embriões de peixe-zebra (Danio rerio) a 4 hpf expostos ao MZ na concentração permitida por lei, bem como concentrações subletais ligeiramente maiores (24, 72 e 180 μg/L), juntamente com um grupo controle, durante 72 h. Nossos resultados mostraram que a concentração de 8 μg/L, atualmente permitida em água potável de acordo com a legislação brasileira, levou a um aumento na produção de espécies reativas de oxigênio e causou alterações na fisiologia mitocondrial. Entre os marcadores avaliados, a função bioenergética mitocondrial demonstrou ser o indicador mais sensível da embriotoxicidade do MZ, evidenciada pela diminuição na atividade do complexo I em concentrações de 8 e 180 μg/L. Além disso, concentrações maiores que 8 μg/L prejudicaram os marcadores morfofisiológicos. Com base nessas descobertas, podemos inferir que a concentração de MZ permitida na água potável pela legislação ambiental brasileira não é segura para organismos aquáticos. Além disso, ao comparar os efeitos entre organismos aquáticos de complexidades variáveis, pretendemos identificar potenciais mecanismos comuns de toxicidade do MZ. Uma busca crítica na literatura culminou em 32 artigos, investigando os efeitos do MZ e suas formulações em diversas espécies aquáticas. A exposição ao MZ resultou em uma série de efeitos tóxicos, incluindo alterações morfofisiológicas, bioquímicas, genotóxicas e neurotóxicas em moluscos, crustáceos, insetos aquáticos, peixes e anfíbios. Os efeitos bioquímicos foram os mais frequentemente relatados, tendo como alvo de toxicidade principalmente mitocôndrias, lipídios, proteínas e material genético. Notavelmente, os mecanismos subjacentes à neurotoxicidade induzida por MZ permanecem mal compreendidos, representando uma lacuna de conhecimento significativa. Com base nos efeitos analisados, o estresse oxidativo aparece como um potencial mecanismo unificador da toxicidade de MZ em invertebrados e vertebrados aquáticos. No entanto, mais pesquisas são necessárias para estabelecer definitivamente um mecanismo comum e elucidar os caminhos específicos envolvidos. Além disso, uma compreensão mais profunda dos efeitos neurotóxicos de MZ é crucial para uma avaliação abrangente de risco ambiental.
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